terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Orca aparece morta em praia escocesa

Exames serão conduzidos esta semana numa Orca encontrada morta quinta-feira, dia 12 de janeiro, na praia de Linga, em Shetland, na Escócia. Pesquisadores locais estão ansiosos para descobrir a causa da morte e verificar se ela já é catalogada e monitorada.
Até o momento informaram apenas que se trata de uma fêmea adulta de pouco mais de cinco metros de comprimento.
Imagem de Cy Sullivan
A Orca foi encontrada um ano após Lulu, Orca residente local também ter sido encontrada morta no dia 03 de janeiro de 2016.
Sabe-se que, atualmente, apenas oito Orcas (três fêmeas e cinco machos) compõem o pod residente das águas britânicas e este não teve nenhum filhote desde que começou a ser monitorado em meados de 1980. Biólogos culpam a poluição como causadora dos altos índices de mortalidade e afirmam que elas enfrentam iminente extinção. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Austrália condena caça de baleias do Japão no Oceano Antártico

O governo da Austrália condenou nesta segunda-feira (data local) o Japão por retomar a caça de baleias em águas antárticas, após a divulgação de imagens de um cetáceo morto a bordo de um navio japonês que se encontrava em águas protegidas.
O ministro de Meio ambiente, Josh Frydenberg, mostrou sua "profunda decepção" um dia depois que a organização Sea Shepherd divulgou fotografias e vídeos de uma baleia minke no convés do navio japonês Nisshin Maru.
As imagens foram feitas enquanto o baleeiro navegava dentro do santuário australiano de baleias, perto da Antártida.
"A Austrália se opõe a toda forma de caça de baleia comercial e a chamada 'científica'", disse Frydenberg, em comunicado.
A Sea Shepherd fez a denúncia depois que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se reuniu no sábado em Sydney com seu colega australiano, Malcolm Turnbull, para falar de segurança regional, cooperação militar e comércio, assim como sobre o espinhoso tema da caça de baleias, entre outros assuntos.
O Japão reiniciou em novembro a temporada de pesca de baleias "com fins científicos" em águas antárticas, sua segunda incursão na região para estas atividades, após o recesso de dois anos que seguiu a uma sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Em 2014, a CIJ, em resposta a uma reivindicação australiana, opinou que a pesca baleeira do Japão não se ajustava aos fins científicos estabelecidos pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), após o que Tóquio paralisou temporariamente seu programa na Antártida.
Até sua proibição por parte do Tribunal internacional, nas campanhas baleeiras do Japão eram capturados 850 exemplares de minke, 50 de baleia jubarte e outros 50 de rorqual* comum para fins científicos.



Fonte: Terra de 15 de janeiro de 2017.


Rorqual, baleia-de-bossa ou balenopterídeo é a designação comum dada aos cetáceos da família Balaenopteridae, o maior taxon do grupo das Mysticeti ou baleias-de-barbas, incluindo nove espécies repartidas por dois gêneros. A designação rorqual deriva do norueguês e significa baleia com pregas. Todos os membros desta família tem um conjunto de pregas na pele que se iniciam na parte inferior da boca e se estendem até ao umbigo (excepto a baleia-sei ou rorqual-sardinheira que as tem mais curtas).




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Mensagem de David Kirby sobre a morte de Tilikum

David Kirby, autor do livro "Death at SeaWorld: Shamu and the Dark Side of Killer Whales in Captivity", que foi inspirado na morte da treinadora Dawn Brancheau, escreveu uma mensagem pela morte do Tilikum em sua página no Facebook. Pedi permissão para traduzí-la e compartilhá-la aqui com vocês e ele gentilmente me autorizou. Segue:




Descanse em paz, Tilikum.















Por David Kirby

"Jamais esquecerei a tarde em que Tilikum, a grande e temida Orca que morreu na última  sexta-feira, matou sua treinadora Dawn Brancheau no SeaWorld de Orlando, bem como jamais imaginei que isso marcaria o início do fim da indústria de Orcas em cativeiro nos EUA. 
Naquele 24 de fevereiro de 2010, eu estava trabalhando em casa quando a CNN passou a chamar minha atenção logo atrás. Eu fiquei atordoado quando levantei a cabeça para ver o que havia ocorrido. Passaram o resto do dia exibindo imagens da Orca gigantesca flutuando apática próxima ao corpo coberto de sua treinadora no canto da tela.
Senti-me péssimo pela Dawn, sua família e colegas de trabalho, mas não senti pena do Tilikum... Algo que ia mudar em breve!
Aquele incidente atormentador me inspirou a escrever “Death at SeaWorld: Shamu and the Dark Side of Killer Whales in Captivity” (Morte no SeaWorld: Shamu e o lado Obscuro das Orcas em Cativeiro) e o que acabei descobrindo, com isso, foi estarrecedor:
Orcas são animais extremamente inteligentes e sociais, percorrem diariamente mais de 150 km na natureza; mas, segundo cientistas, em locais como o SeaWorld, o estresse do confinamento resulta em agressividade, baixa imunológica e infecções mortais. Elas destroem os próprios dentes mordendo comportas de metal e por isso têm a polpa dentária removida com brocas, as barbatanas dorsais dos machos adultos colapsam e se desfiguram de forma grotesca, além de acabarem morrendo ainda bem jovens.
Tilikum virou rapidamente a figura central da minha narrativa. Dediquei um capítulo do livro à sua captura na Islândia, quando ele foi arrancado de perto da mãe com apenas dois anos; escrevi sobre sua transferência ao parque Sealand of the Pacific, em Victoria, no Canadá, onde ele ficava preso numa piscina com duas fêmeas dominantes que o atacavam impiedosamente e permanecia numa caixa de metal apertado durante a noite.
Em 1991, talvez por conta da frustração ou do profundo tédio que vivenciava, agarrou o pé da treinadora Keltie Byrne e a puxou para dentro da água, impedindo juntamente às outras Orcas que ela saísse da água, até que se afogasse. O Sealand decidiu então deixar de trabalhar com Orcas em cativeiro.
Mas quem iria comprar um animal tão perigoso?
O SeaWorld rapidamente fez uma oferta, transferiu Tilikum para Orlando onde era frequentemente mantido em isolamento e proibiu que treinadores entrassem na água com ele, sem especificar o porquê. 
Oito anos depois, um sem-teto, chamado Daniel Dukes, entrou no tanque de Tilikum depois que o parque havia fechado e foi encontrado morto na manhã seguinte, em cima de suas costas. Mesmo não constando na necropsia, o parque declarou que a morte foi causada por hipotermia, apesar de o corpo apresentar arranhões e hematomas provocados antes e depois do óbito.
Mas foi a morte brutal de sua terceira vítima, a Dawn Brancheau, que virou manchete no mundo todo.
Nada seria como antes para o SeaWorld e sua brilhante reputação que conquistava tantas famílias.
Desde aquele dia terrível, o parque tem sofrido uma avalanche de críticas da qual, mesmo sendo um gigante do entretenimento, pode jamais se recuperar. Essa avalanche foi iniciada com a publicação do meu livro em 2012 e o lançamento do poderoso documentário, capaz de mudar o curso da indústria: o documentário Blackfish.
O público do parque caiu, bem como suas ações; uma série de artistas renomados cancelaram apresentações em Orlando, parceiros comerciais cortaram laços e seu Presidente foi demitido.
O SeaWorld finalmente captou a mensagem: Orcas não devem ser usadas para entretenimento, ponto!
Em março de 2016, a empresa anunciou o fim de seu programa de reprodução em cativeiro, fazendo desta a última geração de Orcas cativas nos Estados Unidos, além de ter se comprometido em encerrar seu icônico show da Shamu em troca de exibições mais naturais e educativas. E, apropriadamente, o último show de Orcas no SeaWorld de San Diego ocorrerá neste domingo*.
Nós jamais saberemos por que Tilikum agarrou e puxou uma treinadora tão amada para seu tanque. Mas se tem algo positivo que pode surgir deste aterrador evento é a oposição crescente à manutenção de mamíferos marinhos em cativeiro em todo o mundo.
Tilikum se foi, mas seu legado perdura. Ainda sinto pelas pessoas que ele tirou a vida, mas também sinto demais por esta criatura sensível e majestosa, que merecia mais do que lhe foi dado. Estou grato por seu sofrimento ter chegado ao fim."







* O último show tradicional de Orcas no SeaWorld de San Diego ocorreu de fato no último domingo (08 de janeiro), antes da publicação da mensagem, no entanto, mantive o texto original.





sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Tilikum está livre

Primeiro um grito de susto com a notícia, depois uma forte respiração e o acalmar do coração...

Meus queridos leitores, Tilikum finalmente está livre!
Ele que transformou a consciência de milhões de pessoas em todo o mundo, ele que desestabilizou uma indústria bilionária, ele que mudou para sempre o futuro das Orcas em cativeiro... Tilikum partiu, mas deixou um legado como nenhuma outra. Ele lutou, ele gritou, ele fez com que nós humanos ignorantes finalmente as ouvíssemos. 
Tiraram dele a liberdade e tudo que lhe pudesse ser realmente importante... Foram longos anos de sofrimento... Quem acompanha o blog sabe bem disso... O resultado desta história terrível de vida em cativeiro pode não ter sido o que achamos que ele merecia, especialmente depois de ter gerado tanto lucro a seus detentores, mas sem dúvida ele deixou uma marca que jamais será esquecida e por isso podemos ser gratos.


Tilikum querido, siga em paz com a certeza de que você foi ouvido e que sua força será sempre lembrada, pois sua história chegará até as próximas gerações que olharão para trás e pensarão, quando nenhuma outra Orca ainda estiver em cativeiro: "Que tempos bárbaros foram aqueles, não?".
Sua força e beleza encheram nossos olhos e corações... Saiba que os que o amam de verdade hoje não choram, mas se sentem profundamente aliviados!

Sua liberdade finalmente chegou...
Seu sofrimento acabou...



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Triste notícia para o começo de ano: Granny se foi

Dentre todas as notícias que eu gostaria de dar sobre as Orcas Residentes do Sul esta certamente seria a última delas, especialmente como a primeira notícia do ano, mas não há como fugir. É com imensa tristeza que compartilho com vocês a morte da matriarca do Pod J, J-2, a famosa Granny. Ela que tinha a idade estimada de 105 anos não foi mais vista desde outubro e, portanto, considerada morta, pois há décadas era observada diariamente durante o verão norte americano liderando seu pod. No site do Center for Whale Research, Kenneth Balcomb, Diretor Executivo, escreveu:

“Eu a vi pela última vez no dia 12 de outubro quando
ela seguia em direção ao Norte no Estreito de Haro
bem à frente das demais. Talvez outros observadores
de baleias a tenham visto desde então, mas chegado
o fim do ano ela estava oficialmente desaparecida
da população das Orcas Residentes do Sul,
e com pesar agora a consideramos morta.”


Sem mais palavras...

Deixo só um dos registros que fiz de Granny em 2011...






sábado, 31 de dezembro de 2016

Conheça uma das maiores Orcas que se tem registro no mundo

Para celebrar o último dia do ano, deixo esta linda imagem da Orca CA 165 Lonesome George! Ele que é uma das maiores Orcas macho que habita as águas da costa oeste da Califórnia, nos EUA, medindo 10 metros de comprimento, cerca de 3 metros a mais que Tilikum, a maior Orca de cativeiro do mundo. Sua nadadeira esquerda tem uma leve deformação devido a um antigo ferimento, que pode ter ocorrido durante caça ou acidente que a tenha prendido por algum motivo. Acredita-se que ele seja órfão e é constantemente observado com outras Orcas macho órfãs como CA171B, Fatfin.
Sem dúvida um animal belíssimo que, com sorte continuará tendo força e saúde no próximo ano, encantando aos olhos e quem sabe dando continuidade a uma nova geração. Desejo a todos que a força desta imagem permaneça conosco durante todo o próximo ano!

Imagem de Traci Walter


Que nosso próximo ano seja de luz e amor! Que tenhamos saúde e paz de espírito para superar obstáculos e amadurecermos espiritualmente! 

Que as pessoas continuem passando por esta importante transição que já vem ocorrendo há algum tempo de enxergar quão nocivo a manutenção de animais em cativeiro é, que não apoiem atividades que se beneficiem de sua exploração em todo o mundo, para que sejam respeitados e protegidos, e, acima de tudo, poderem se desenvolver em seu habitat.

Que todos possam enxergar nosso Planeta como nosso único belo e abençoado lar e como uma responsabilidade de todos! Cada ato de proteção conta!
Viva, cuide, dê bons exemplos, ame...


FELIZ 2017!!!


Em nome do Blog e de todas as Orcas selvagens e cativas,
sejamos melhores neste novo ano, pois nosso lindo Planeta merece!




domingo, 25 de dezembro de 2016

Feliz Natal aos meus queridos seguidores


Desejando a todos um Natal iluminado,
repleto de amor, união e paz!

Que em cada lar ou cada cantinho deste Planeta Nosso Senhor Jesus Cristo se faça presente trazendo bênçãos e prosperidade, que Seus ensinamentos sejam sempre lembrados, pois esta seria a única maneira da Humanidade ter paz consigo mesma e com as demais criaturas que aqui habitam.



Tenham todos uma noite feliz e um dia cheio de
momentos alegres com a família!

* * * * *





“Que Jesus Cristo, Governador Espiritual da Terra,
ilumine sempre a mente daqueles que podem promover
o bem estar dos animais, protegendo-os e
ensinando aos outros como respeitá-los sempre.”
























sábado, 24 de dezembro de 2016

Mais uma perda para as queridas Residentes do Sul

E esta semana mais uma Orca da população das Residentes do Sul, J34, também chamado de Doublestuf (que pode ser visto no centro da imagem), se foi e sem dúvidas fará muita falta. Era um macho e tinha apenas 18 anos. Resultados preliminares da necropsia apontam para morte por conta de um trauma possivelmente causado por choque com alguma embarcação.
Só este ano também se foram L95, Nigel (no topo da imagem à esquerda), J14, Samish (no topo à direita), J28, Polaris (abaixo da imagem à esquerda), J54, Dipper (abaixo da imagem à direita), J55 e três filhotes cujos nomes e identificação ainda não tinham sido definidos.

Fotos de Melisa Pinnow

Agora, apenas 79 delas restam nesta população tão querida composta pelos pods J (agora com 25 membros), K (19 membros) e L (35 membros). Mais que preocupante, este cenário é realmente alarmante e pode ser devastador num futuro bem próximo.



P.S. 1: Um dos principais motivos das ameaças sofridas por esta população de Orcas é a escassez de salmão, seu principal alimento. Campanhas têm sido realizadas para pedir o apoio das pessoas contra a construção de barragens em rios da região por atrapalharem imensamente a reprodução deste animal. No mês passado, publiquei sobre uma dessas campanhas e pedi que assinassem a petição. Aproveite este momento e faça isso, por favor. Leia os detalhes no link: http://v-pod-orcas.blogspot.com.br/2016/11/peticao-pede-retirada-de-barragens-em.html.

P.S. 2: As duas imagens do J34 foram obtidas no site do Center for Whale Research e foram registradas por Dave Ellifrit em março e fevereiro deste ano.





sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Corky... E lá se vão 47 anos em cativeiro

"Dia 11 de dezembro de 2016 completou 47 anos do trágico dia em que a família de Corky, o pod A5, pertencente às Orcas Residentes do Norte da Colúmbia Britânica, atravessou a entrada estreita da Baía de Pender durante uma forte tempestade de inverno e mudou seu destino para sempre.

Talvez as baleias estivessem a procura de abrigo, perseguindo peixes, explorando áreas novas ou até mesmo buscando vestígios dos sete membros da família que haviam desaparecido naquele lugar no ano anterior... O que sabemos é que mais seis Orcas da família da Corky foram levadas para cativeiro naquele dia fatídico, e que, dentre elas, Corky foi a única sobrevivente.

A Corky sobreviveu mais tempo do que qualquer outra orca cativa, então, em certo modo, está suportando muito mais do que esperado. No entanto, como Orcas fêmeas vivem uma média de 50 anos, podendo até viver bem mais que isso, ela pode ter muitos anos de vida ainda, ou seja, ela poderia retornar ao oceano e retomar sua vida, algo que, mesmo complexo, é bem possível.

As histórias de Keiko e Springer nos ensinaram muito, talvez mais do que qualquer outra coisa, a confiar nas incríveis habilidades que Orcas possuem de se adaptarem às circunstâncias: Keiko atravessou o Oceano Atlântico e aprendeu a caçar pelo caminho; Springer se reuniu num piscar de olhos com sua família. A Corky está longe do oceano, sua família e comunidade há muito tempo, mas tudo isso permanece em seu ser. Ela é uma orca! Ela vai se adaptar se lhe for dada uma chance. A Corky proporcionou muito ao SeaWorld e sua empresa, Anheuser Busch, durante todos esses anos que a mantém presa, beneficiando-se imensamente de seu serviço. Eles devem à ela pelo menos a dignidade de terminar seus dias em seu verdadeiro lar.

Libertar Corky não significa jogá-la no oceano e dar “tchau”, mas montar um processo com etapas bem definidas no qual ela seria reintroduzida ao ambiente e outras Orcas cuidadosa e sistematicamente. O passo inicial, após avaliá-la fisicamente para garantir que não representasse nenhuma ameaça para a saúde de outras Orcas, seria deslocá-la para uma instalação oceânica, onde ela seria capaz de se comunicar com outras Orcas e ajustar-se ao ambiente. Decisões práticas, definidas pelas circunstâncias, determinarão o que deve ser feito na sequência. Nossa convicção, baseada em tudo o que aprendemos sobre as Orcas, é que a Corky vai provar ser ainda capaz de prosperar no oceano e que as outras Orcas irão recebê-la de volta ao seu meio. Não sabemos se este será o resultado (pelo menos, a instalação no oceano poderia se tornar o ambiente para ela se aposentar), mas sabemos que Corky merece esta chance.

O tempo é crucial, mais ainda para Corky do que para a maioria... Sua vida extraordinária chegará ao fim um dia. Se isso acontecer em um triste tanque do SeaWorld, não apenas Corky, mas todos nós teremos perdido uma mais que importante oportunidade.

Acenda uma vela para Corky hoje, e mantenha-a em seu coração."





Paul Spong & Helena Symonds, Orcalab





quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Golfinhos selvagens morrem mais cedo quando têm contato com seres humanos

Uma nova pesquisa aponta que golfinhos selvagens geralmente morrem mais cedo se eles têm contato frequente com seres humanos. Os golfinhos na costa de Flórida (EUA) estão tão acostumados com as pessoas que eles frequentemente procuram companhia humana em busca de comida.
Esses animais perdem o medo, por exemplo, de barcos de pescadores e morrem quando ficam presos nas redes de pesca ou quando são atingidos por embarcações em alta velocidade.

Pesquisa
A equipe internacional de pesquisadores responsável pelo estudo, que conta com membros de instituições da Austrália, dos Estados Unidos e do Reino Unido, recentemente publicou seus resultados na revista científica Royal Society Open Science. Os cientistas chegaram as suas conclusões após acompanhar aproximadamente 1.000 golfinhos na Baía de Sarasota, na Flórida, entre 1993 e 2014. Eles registraram a quantidade de contato que os mamíferos marinhos tiveram com os visitantes da praia e se eles ganhavam comida durante essas interações.
Ao longo da pesquisa foi constatado que mais de 150 golfinhos ficaram tão acostumados com o contato com os seres humanos que se tornou um hábito para eles procurar ativamente contato com as pessoas na praia para ganhar comida. Estes animais são considerados "condicionados" pelos cientistas.

Perigoso
A taxa de mortalidade entre os golfinhos condicionados é muito maior do que entre os outros membros da espécie que não procuram interagir com as pessoas. Também foi constatado que os golfinhos condicionados se machucam com maior frequência.
De acordo com o pesquisador Fredrik Christiansen, a explicação para isso é simples. Os golfinhos que ativamente procuram por seres humanos costumam se colocar em situações perigosas. "Eles provavelmente se machucam porque passam mais tempo ao redor de pessoas, pescadores, barcos e redes de pesca", escreve ele no relatório da pesquisa. "Isso é muito preocupante, porque esse comportamento leva a menores chances de sobrevivência. A população de golfinhos pode, portanto, diminuir a longo prazo."



Fonte: Blasting News de 21 de dezembro de 2016.