quinta-feira, 27 de junho de 2019

Processo de soltura das baleias na Rússia é iniciado

Foi com alegria e muita esperança que há uma semana soube que o processo de devolução das Orcas e das Belugas presas na Rússia havia iniciado. Poucos dias depois, deparei-me com imagens e informações que me trouxeram preocupação. De acordo com diversos ativistas, os animais não pareciam estar sendo transportados em condições adequadas e a empresa responsável pelo transporte não estava sendo clara sobre os métodos utilizados e sobre as condições de saúde dos mesmos. No entanto, ontem assisti ao depoimento do Jean-Michel Cousteau sobre como tem sido o processo de soltura, o que me tranquilizou.
Segue vídeo (e sua tradução) para que também possam acompanhar.

É a primeira vez que algo assim ocorre...
Uma captura em larga escala que pode ter um final feliz.
Fiquemos atentos!

* * * * * 



A Rússia começou o processo de libertação das baleias que foram capturadas ilegalmente no ano passado no mesmo local em que viviam. Jean-Michel Cousteau e o The Whale Sanctuary Project divulgaram a seguinte declaração:




“Tenho acompanhado de perto o processo de libertação das Orcas e belugas capturadas ilegalmente no ano passado na Rússia, juntamente ao Charles Vinick e à nossa equipe internacional do The Whale Sanctuary Project. Quero elogiar o Presidente russo, Vladimir Putin, e os funcionários do governo por tomarem a decisão de libertá-las no local em que foram capturadas. Como o vice-premier Gordeyev disse na semana passada, essa foi "definitivamente a decisão mais correta".
“Seis belugas e duas orcas foram transportadas em uma operação longa e complexa e os olhos do mundo estão focados nesta difícil operação. Uma soltura nesta escala (10 Orcas e 87 belugas) nunca foi feita antes.
“Esse processo é tão importante e complexo que a Rússia deve contar com os melhores especialistas do mundo para ajudar onde for necessário. Estou atento às preocupações do público sobre a falta de transparência que temos visto até agora com a operação. Isto posto, recomendo que a Rússia inclua não só especialistas internacionais, mas observadores russos também para acompanhar. Declaro novamente que eu e nossa equipe estamos preparados para ajudar de todas as formas possíveis. Lembro-me que, quando estava em Moscou, o Ministro de Recursos Naturais Dmitry Kobylkin nos disse diretamente que todos nós devemos fazer parte de uma equipe unificada para fazer com que a soltura seja bem sucedida até o final.
“Vamos fazer tudo que está ao nosso alcance para garantir que a libertação seja um sucesso, para que o presidente Putin e todos nós possamos celebrar a incrível conquista de devolver 10 orcas e 87 belugas a suas famílias e ao seu lar. Este será um grande dia para os oceanos e para a humanidade!”

(Fotos e imagens Harry Rabin)




segunda-feira, 17 de junho de 2019

Visitas especiais à costa noroeste do Pacífico II

Aproveitando a notícia da rara visita de Orcas à False Creek em Vancouver que publiquei ontem, não podia deixar de registrar a ainda mais rara visita de uma Orca "branca" na mesma região!

O incrível avistamento ocorreu em Nanaimo, na Ilha de Vancouver, no Canadá, no final de maio. Daquele dia para cá, vários foram os registros da pequena Orca Transeunte em meio aos oito membros de seu pod. Um registro mais lindo que o outro.


Como citado na postagem anterior, Orcas Transeuntes se alimentam de pequenos mamíferos como focas e leões marinhos e não se encontram em situação de ameaça atualmente, pois algumas centenas delas transitam na região todos os anos.
Orcas com colorações mais claras têm sido observadas nas águas da região por décadas. O ecologista Jared Towers, da Fisheries and Oceans Canada, disse em entrevistas para jornais locais que o primeiro caso documentado de uma Orca com características assim fora em 1924 e seguido por mais avistamentos nas décadas de 1940 e 50 (todos na população Transeunte). "Em 1970, uma dessas orcas "brancas", pois havia mais de uma delas, foi capturada em Victoria", disse Jared Towers. "E acabou em um aquário em Victoria, onde morreu."



Desde a década de 1970, os avistamentos confirmados diminuíram. Cientistas dizem que a descoberta de maio perto de Nanaimo representa a primeira Orca esbranquiçada na Colúmbia Britânica em uma década.
Exatamente o motivo da aparência "desbotada" deste tipo de Orca permanece em grande parte um mistério para os cientistas. Pode ser uma condição comum chamada leucismo, que pode ser amenizada à medida que o animal envelhece, ou seja, há grandes chances de que esta baleia cresça e fique preta e branca como as demais. Também poderia ser uma condição genética mais séria, que é conhecida por causar morte prematura nas Orcas que portadoras da condição.
Uma coisa é concesso entre os especialistas: Não se trata de um animal albino. Isso pode ser comprovado pelo fato de ela ter a mancha branca acima dos olhos bem visível.
Fato é que definir a causa exata desta condição pode levar anos, portanto, como é possível que ela crescendo perca a tonalidade esbranquiçada, o que os pesquisadores realmente indicam é: se alguém tiver a sorte de vê-la, apenas curta este momento, pois ela não ficar assim para sempre:





domingo, 16 de junho de 2019

Visitas especiais à costa noroeste do Pacífico I

A semana que passou foi marcada por uma linda e rara visita à uma baía na cidade de Vancouver, no Canadá. Quatro Orcas Transeuntes passearam tranquilamente pelos menores canais de False Creek. Foi a primeira vez que registraram a passagem de Orcas por esses canais desde que começaram a efetuar o registro no ano 2000.
Dentre as quatro Orcas estava um macho identificado como T124C. Orcas Transeuntes, diferentemente das Residentes, que se alimentam exclusivamente de uma espécie de salmão, alimentam-se de focas e leões marinhos e também diferentemente delas, não são consideradas como população ameaçada de extinção. No momento, as Residentes (somando os Pods J, K e L) possuem 74 membros, já as Transeuntes somam 304 transitando mais próximo à costa e, 217, transitando em regiões mais afastadas da costa.



"Normalmente, podemos vê-las perto de Point Grey, às vezes em Burrard Inlet ou Howe Sound", disse Jessica Torode da Rede de Avistamentos de Cetáceos da Colúmbia Britânica, acrescentando que elas provavelmente estavam procurando por comida.
"Possivelmente estavam lá em busca de focas", disse ela. "Temos uma população de focas bem saudável em Vancouver, e agora é uma temporada de pupilas."
As Orcas permaneceram transitando pelos canais até o início da noite possibilitando uma série de registros por parte de moradores e turistas, além de barcos de observação de baleias, que passavam pela região. Assista a um desses registros abaixo:





quinta-feira, 13 de junho de 2019

Lei que proíbe baleias e golfinhos em cativeiro é aprovada no Canadá

Aprovado no dia 10 de junho de 2019 pelo Parlamento do Canadá, o Bill S-203 (também conhecido como "Free Willy"), é um projeto de lei que proíbe a utilização, reprodução e impregnação de qualquer cetáceo (mamíferos marinhos), bem como a posse de seu espermatozoide ou embrião.
A multa pela violação desta lei, pode chegar a 200.000 dólares canadenses. No entanto, este projeto de lei contém algumas exceções: os animais que já estiverem em cativeiro continuarão lá para reabilitação de lesões ou para a realização de pesquisas científicas autorizadas.
De acordo com a diretora executiva da Animal Justice, Camille Labchuk:
“Este é um momento decisivo para as baleias e os golfinhos, e poderoso reconhecimento de que nosso país não aceita mais aprisionar animais inteligentes e sensíveis em tanques pequenos para entretenimento".
O projeto Free Willy ainda não virou uma lei definitiva, pois precisa da aprovação real. Porém, essa aprovação do escritório do governador geral é mais uma formalidade para a legislação canadense, afirmou o site 9CAG que veiculou a notícia.
Em reportagem aos jornais canadenses, Elizabeth May, líder do Partido Verde, declarou:
"Hoje é um bom dia para os animais no Canadá. Muitos cientistas testemunharam por que é fundamental deixarmos de manter os cetáceos em cativeiro. Entendemos porque, obviamente, não são semelhantes a outros animais, por exemplo, gado. Os cetáceos exigem o oceano, exigem o espaço, exigem comunicação acústica a longas distâncias".
Elizabeth May patrocinou esse projeto em 2015 e hoje finalmente ele foi liberado. Esperamos que essa atitude se expanda para outros países que também praticam entretenimento com animais, ganhando dinheiro em cima deles, como se eles fossem objetos de decoração. Todos os animais são livres e merecem os mesmos direitos que nós, seres humanos!



Fonte: Site Green me de 12 de junho de 2019.



quarta-feira, 29 de maio de 2019

Orca branca é fotografada no Japão


E quem deu uma passeadinha esse mês pelas águas japonesas foi a Orca branca Iceberg. O raro avistamento ocorreu no Estreito de Nemuro, em Rausu, na parte nordeste da província de Hokkaido, ao norte do país, por um membro de um grupo de pesquisas japonês.
De acordo com o University Alliance for Hokkaido Orca Research Project (Uni-HORP), é muito raro encontrar uma Orca branca perto do Japão, e foi a primeira vez que um pesquisador japonês conseguiu efetuar o registro.
O Estreito de Nemuro está localizado entre a cidade de Rausu, na Península de Shiretoko, designada como Patrimônio Mundial Natural da UNESCO, e a Ilha de Kunashiri, uma das quatro ilhas disputadas que compreendem os Territórios do Norte efetivamente controlados pela Rússia.
O encontro ocorreu no último dia 16 e a Orca estava com um pod de dez indivíduos. Foi um professor da Universidade Tokai, Hiroshi Oizumi, especializado em mamíferos marinhos, que conseguiu a imagem. Ele, juntamente aos demais pesquisadores, estava num navio fretado pelo próprio grupo a cerca de 5 km de distância dos animais.
Foi Yoko Mitani, professor de um Centro de Ciência da Universidade de Hokkaido, que identificou a orca branca como sendo a já conhecida "Iceberg".






P.S.: Há mais sobre Orcas brancas aqui no blog. Pesquise no campo ao lado para saber mais.



terça-feira, 28 de maio de 2019

SeaWorld divulga causa da morte da Orca Kayla

Kayla, Orca de 30 anos do SeaWorld Orlando, que morreu em janeiro, foi vítima de doença pulmonar, informou o parque na semana passada.
De acordo com o SeaWorld, que divulgou a causa da morte após longa investigação, a morte foi considerada “inesperada” porque até poucos dias antes ela parecia saudável. Em poucos dias, sua condição piorou muito e, apesar de extensivos cuidados, não foram capazes de impedir sua morte.
“Chegamos à conclusão de que a Kayla morreu de doença pulmonar, que se apresentou muito rapidamente no caso dela”, disse o Dr. Chris Dold, em comunicado. Ainda, segundo ele, “mortes por doença pulmonar são comuns em mamíferos marinhos na natureza, nos que se encontram sob cuidados humanos e naqueles que resgatamos. Continua sendo a principal causa de morte de golfinhos e baleias em todo o mundo”.
 “Como acontece com todos os animais sob nossos cuidados, vamos tentar aprender com a morte da Kayla”, acrescentou Chris no comunicado. E para seguir na enganação de que suas Orcas são mantidas em cativeiro não só para entretenimento/lucro, mas para fins científicos (na falha tentativa de convencer ativistas que não vivem apenas da exploração dos animais para shows), incluíram no comunicado a nota de que relataram sua morte para o Serviço Nacional de Pesca Marinha Americano (National Marine Fisheries Services) e que planejavam “compartilhar os dados coletados durante sua vida com a comunidade científica”.

Lembrando:

Kayla nasceu em cativeiro!
Jamais conheceu a vida livre no oceano!




segunda-feira, 27 de maio de 2019

National Geographic publica "Orcas não se dão bem em cativeiro"

Em março, a revista da National Geographic publicou uma reportagem sobre quão difícil é a vida das Orcas em cativeiro. Poucos dias depois, a National Geographic Brasil traduziu e também compartilhou a reportagem. Para a maioria dos leitores do blog, não há muita novidade dentre as informações, mas, dado a importância da revista e seu alcance e respeito, acho interessante registrar aqui. Apenas uma observação: À época, o motivo da morte da Kayla ainda não havia sido divulgada (apesar dos fortes indícios de problemas pulmonares. No último dia 20, o jornal Orlando Sentinel finalmente deu detalhes sobre a causa, notícia que compartilharei amanhã.
Segue reportagem da National Geographic:

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As Orcas Não se Dão Bem em Cativeiro. Saiba Porquê.
Estes mamíferos marinhos, estrelas de parques de diversões em todo o mundo, têm morrido prematuramente.
Terça-feira, 2 Abril

Em janeiro de 2019, Kayla morreu. Esta orca tinha 30 anos de idade e vivia no SeaWorld de Orlando. Se este animal estivesse em liberdade, poderia eventualmente viver até aos 80 anos. Ainda assim, Kayla viveu mais tempo do que qualquer outra orca nascida em cativeiro.
Não se sabe ao certo o que provocou a morte de Kayla (o SeaWorld não divulgou os resultados da sua necropsia, e por lei não são obrigados a fazê-lo), mas as causas imediatas da morte não serviriam de muito: de acordo com a base de dados de relatórios de necropsias, mantida pela Orca Project Corp. – uma organização sem fins lucrativos composta por especialistas em mamíferos marinhos que se opõe à conservação de orcas em cativeiro – as orcas costumam morrer devido a pneumonias ou outras infeções oportunas que atuam sobre o animal, quando este já está enfraquecido.
De acordo com duas bases de dados de peritos em cetáceos, no mundo inteiro, desde 1977, nasceram 70 orcas em cativeiro (sem contar com 30 nados-mortos ou que morreram no útero).
Atualmente, em parques aquáticos e aquários de todo o mundo, existem 59 orcas em cativeiro. Algumas foram capturadas na natureza, outras nasceram em cativeiro. Um terço das orcas em cativeiro, a nível mundial, está nos Estados Unidos, e todas, exceto uma, vivem em três parques do SeaWorld em Orlando, San Diego e San António. Lolita, uma orca de 54 anos que foi capturada em 1970 nas águas ao largo do estado de Washington, vive sozinha no Miami Seaquarium numa piscina a céu aberto, pouco mais comprida que o seu corpo.

Uma orca chamada Kayla, no SeaWorld de Orlando, em 2011.
Kayla morreu em janeiro de 2019, tinha 30 anos.
Na natureza, a esperança média de vida para uma orca fêmea
é de 50 anos. Muitas vivem até aos 80 ou 90 anos.
FOTOGRAFIA DE PHELAN M. EBENHACK, AP

Outras 10 orcas, capturadas na natureza, definham atualmente em cercados marinhos, no extremo leste da Rússia, enquanto o governo investiga a sua possível captura ilegal. Se forem vendidas a aquários, provavelmente para a China, o número global de orcas em cativeiro poderá subir para 69.
Existem várias evidências de que os cetáceos – baleias, golfinhos e botos – não prosperam em cativeiro. São animais sociais altamente inteligentes, geneticamente construídos para se alimentar, viver e migrar em grandes distâncias no oceano. As orcas, nascidas na natureza ou criadas em cativeiro, são os cetáceos que mais sofrem, diz Naomi Rose, cientista de mamíferos marinhos no Instituto de Cuidados para Animais, uma organização sem fins lucrativos sedeada em Washington.
Isso deve-se, em parte, ao seu tamanho. As orcas são animais massivos que nadam distâncias enormes na natureza – em média 65 quilómetros por dia – não porque podem, mas porque precisam, para satisfazer a sua dieta variada e para se exercitarem. Mergulham dos 30 aos 150 metros de profundidade, várias vezes por dia, todos os dias.
"É biologia básica", diz Rose. Uma orca nascida em cativeiro, e que nunca viveu no oceano, ainda tem os mesmos impulsos inatos, diz. "Se evoluímos para percorrer grandes distâncias, à procura de alimento e de parceiros, estamos adaptados a esse tipo de movimento, independentemente de sermos um urso polar, um elefante ou uma orca", diz Rose. "Nós colocamos [orcas] numa caixa com 45 metros de comprimento, por 30 de largura, com 10 metros de profundidade, e estamos basicamente a transformá-las em seres sedentários."
Rose explica que um indicador primário, para ver se um mamífero se dá bem em cativeiro, é o tamanho da sua área de alcance na natureza. Quanto maior for o seu alcance natural, menor será a probabilidade de prosperar numa área confinada. É a mesma razão pela qual alguns jardins zoológicos estão a terminar com as exposições de elefantes.
Nós conseguimos, de certa maneira, recriar os ambientes terrestres – como a savana, por exemplo – mas não conseguimos recriar o oceano.
“Não existe um único mamífero marinho adaptado para prosperar no mundo que tentamos reproduzir, numa caixa de betão”, diz Rose.

SINAIS DE SOFRIMENTO
É muito complicado, dizem os especialistas em bem-estar animal, provar qual é a razão específica que diminui o tempo de vida das orcas em piscinas. "O problema das orcas em cativeiro é que a sua saúde continua envolta em mistério", diz Heather Rally, veterinária de mamíferos marinhos da Fundação PETA. Apenas as pessoas que trabalham em instalações com orcas é que se aproximam realmente delas, e poucas dessas informações são tornadas públicas.
É óbvio que a vida em cativeiro compromete a saúde das orcas. Isso é evidente na sua zona corporal vital: os dentes. Um estudo de 2017, publicado na revista Archives of Oral Biology, descobriu que um quarto das orcas em cativeiro tem algum tipo de dano nos dentes. Algumas populações de orcas que vivem na natureza também mostram sinais de desgaste nos dentes, mas são simétricos e acontecem gradualmente ao longo de décadas, ao contrário do dano irregular acentuado que se verifica nas orcas em cativeiro.
De acordo com o estudo, este dano deve-se ao facto das orcas rasparem persistentemente os dentes nas paredes dos tanques, chegando ao ponto em que ficam com os nervos expostos. O desgaste nos dentes origina cavidades, altamente suscitáveis de infeções, mesmo que os tratadores os lavem regularmente com água limpa.
Este comportamento, induzido pelo stress, tem sido documentado em investigações científicas desde finais da década de 1980. Tradicionalmente chamados de estereótipos – padrões de atividade repetitivos que não servem uma função óbvia – estes comportamentos, que muitas vezes incluem automutilação, são típicos de animais em cativeiro que vivem em recintos demasiado pequenos.
As orcas têm o segundo maior cérebro de qualquer animal no planeta. Tal como os humanos, os seus cérebros são altamente desenvolvidos nas zonas de inteligência social, linguagem e autoconsciência. Na natureza, vivem em grupos familiares muito íntimos que partilham uma cultura única e sofisticada, passada de geração em geração.
Em cativeiro, são mantidas em grupos sociais artificiais, e algumas, como Lolita, vivem completamente sozinhas. As orcas nascidas em cativeiro são geralmente separadas das mães muito mais cedo do que aconteceria na natureza (as orcas macho costumam ficar com as mães a vida inteira), e são muitas vezes transferidas entre instalações. Kayla foi separada da mãe quando tinha 11 meses de idade, é já foi transferida entre parques SeaWorld, por todos os EUA, quatro vezes.
A tensão provocada pela rutura social é agravada pelo facto das orcas em cativeiro não conseguirem escapar de conflitos com outras orcas, ou de se envolverem em comportamentos de natação naturais, limitadas pelas dimensões das piscinas.
Em 2013, o filme documentário Blackfish mostrou cruamente o efeito psicológico da vida em cativeiro, através da história de uma orca capturada na natureza, chamada Tilikum, que matou um tratador no SeaWorld de Orlando. O filme incluía testemunhos de antigos tratadores do SeaWorld e de especialistas em cetáceos, onde afirmavam que o comportamento agressivo de Tilikum para com os humanos se devia à tensão em que esta se encontrava (Tilikum já tinha morto outro tratador noutro parque, na Colúmbia Britânica, no Canadá.) Os registos do tribunal mostram que o SeaWorld tinha documentado, entre 1988 e 2009, mais de 100 casos onde as orcas começaram a ficar agressivas para com os seus tratadores. Desses casos, 11 resultaram em lesões, e um resultou em morte.
Blackfish também tinha uma entrevista com um antigo capturador de orcas, John Crowe, onde este descreve ao pormenor o processo de capturar orcas juvenis na natureza; os lamentos dos bebés presos nas redes, o pânico das famílias que os rodeavam freneticamente, e o destino dos bebés que não sobreviviam à captura. Estes últimos, eram abertos e enchidos com pedras, sendo depois afundados nas profundezas do oceano.

ALTERAÇÕES OCEÂNICAS
A reação da opinião pública ao Blackfish foi rápida e furiosa. Centenas de milhares de espetadores assinaram petições a pedir ao SeaWorld que retirasse as orcas dos parques, ou que os fechasse. As empresas que tinham parcerias com a SeaWorld, como a Southwest Airlines e os Miami Dolphins, cortaram as suas relações. O número de visitantes começou a diminuir e as ações da empresa mergulharam a pique, e o SeaWorld ainda não recuperou totalmente da situação.
“Nós éramos uma campanha com pouca visibilidade. Agora, somos mainstream. E isso aconteceu de um dia para o outro”, diz Rose, que defende o bem-estar da orca em cativeiro desde 1990.
Durante vários anos, os grupos de defesa dos animais levantaram ações legais contra o Departamento da Agricultura dos EUA – responsável pelo cumprimento federal da Lei do Bem-Estar Animal – pela fraca monitorização do bem-estar dos animais em cativeiro, para fins de entretenimento. Os esforços nunca tiveram sucesso, diz Jared Goodman, vice-conselheiro de legislação animal na Fundação PETA, que participou em vários dos processos judiciais.
Mas em 2017 as coisas começaram a mudar. A reprodução de orcas em cativeiro foi considerada ilegal no estado da Califórnia. Pouco tempo depois, o SeaWorld, que tem um parque em San Diego, anunciou que ia acabar com o programa de reprodução de orcas em cativeiro, afirmando que as orcas que ainda permanecem nos parques serão a última geração a viver nas instalações SeaWorld. Apesar de 20 orcas e muitos outros cetáceos ainda fazerem espetáculos nos parques, a empresa aposta cada vez mais em parques de diversões diferentes.
A nível federal, o congressista Adam Schiff, democrata da Califórnia, tem tentado aprovar uma lei para acabar faseadamente com as exibições de orcas nos EUA. No Canadá, está prestes a ser aprovada uma lei que bane todas as exibições de cetáceos – não só de orcas, mas também de golfinhos, botos e baleias. 

OLHAR PARA O FUTURO
Mas resta saber o que fazer com as 22 orcas em cativeiro, nos EUA e no Canadá, se a legislação federal encerrar as instalações, ou se as instalações de cativeiro, como as do SeaWorld, concordam em dar o passo seguinte e retiram as orcas que restam. Nenhum destes animais pode ser libertado na natureza – habituaram-se a ser alimentados por humanos.
O Projeto Santuário Baleia, liderado por um grupo de cientistas de mamíferos marinhos, veterinários, peritos políticos e engenheiros, visa estabelecer santuários junto à costa, para cetáceos reformados ou resgatados. A ideia passa por dar aos animais a possibilidade de viver em habitats isolados no oceano, continuando a ser cuidados e alimentados por humanos. O grupo identificou possíveis locais na Colúmbia Britânica, no estado de Washington e na Nova Escócia. A logística necessária para criar um santuário destes é complexa, diz Heather Rally, que faz parte do conselho de consultores da organização.
“Temos santuários para todas as outras espécies”, diz Heather. Apesar dos desafios, “chegou a altura de termos um santuário para os mamíferos marinhos. Já era altura”.
O Projeto Santuário Baleia espera eventualmente fazer parceria com o SeaWorld no processo de reabilitação. Mas o SeaWorld opõe-se ao conceito de santuários marinhos – referindo-se a estes por “jaulas marinhas”, afirmando que os perigos ambientais e um habitat radicalmente diferente podem provocar ainda mais stress nas orcas, piorando a situação, em vez de a melhorar. O SeaWorld removeu do seu website a declaração de 2016, com os detalhes da oposição, mas um representante da empresa confirmou à National Geographic que a sua posição não sofreu alterações.
Aparentemente, existe alguma esperança para o futuro dos cetáceos em cativeiro no Ocidente, mas na Rússia e na China, a indústria de mamíferos marinhos em cativeiro continua a crescer. Na Rússia, 10 orcas recém-capturadas estão num cercado no mar, aguardando o seu destino. A China tem agora 76 parques operacionais, e estão em construção mais 25. A grande maioria dos cetáceos em cativeiro na China foi capturada na natureza e importada da Rússia e do Japão.
A China “ainda não teve o seu momento Blackfish”, diz Rose. Mas tem esperança que isso possa vir a acontecer, porque Rose já passou por esta situação.
“Há dez anos atrás ninguém diria que isto podia acontecer”, diz.



Fonte: Site National Geographic. Para acessar a publicação original em Inglês, clique neste link: https://www.nationalgeographic.com/animals/2019/03/orcas-captivity-welfare/ - há uma linda galeria de imagens disponível também.


P.S.: Existem alguns erros simples de Português na publicação e algumas más traduções, mas quis manter a reportagem original conforme publicado na revista da NatGeo no Brasil.



segunda-feira, 1 de abril de 2019

Ignorando as atrocidades da "Prisão de Baleias", Rússia define cota de capturas para 2020

E quando achamos que um problema já não seja grande o suficiente ou quando achamos que o problema atual possa estar a caminho de uma solução, deparamos-nos com uma notícia ainda mais assustadora...

Segue informação há pouco compartilhada por
Ric O'Barry (The Dolphin Project) em sua página no Facebook:





Informação nova do Свободу Косаткам и Белухам, grupo Free Russian Whales:

Embora o problema da Prisão de Baleias ainda esteja em andamento, a Federação Russa de Pesca e o Instituto Russo de Pesquisas de Pescas e Oceanografia (VNIRO) propuseram capturar mais 10 orcas e 282 belugas. As dez Orcas e 82 belugas seriam capturadas no Mar de Okhotsk e outras 200 belugas - nos mares de Bering, Chukchi e East Siberian em 2020.⠀
A coalizão #FreeRussianWhales preparará uma análise detalhada dos materiais utilizados para definir o Total Allowable Catch - TAC (cota de capturas) no início da próxima semana e garantiu que não permitirão que isso aconteça sem uma grande batalha.

Fique ligado.






domingo, 31 de março de 2019

Equipe de especialistas segue para avaliar condições da prisão de baleias


A Dra. Ingrid Visser, juntamente à equipe de especialistas, reunidos pela equipe do Whale Sanctuary Project e lideradas pelo oceanógrafo Jean-Michel Cousteau, estão a caminho da Rússia. Eles receberam um convite formal do Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais russos para visitar a Baía de Srednyaya, na costa do Extremo Oriente do país. Sua missão incluirá avaliar a condição das dez Orcas restantes e das 87 belugas que estão sendo mantidas em cercados, comumente chamadas de "prisão de baleias". Esta experiente equipe foi chamada para aconselhar o governo sobre a saúde das baleias e como podem ser devolvidas ao oceano.
Apesar de toda comoção mundial, com envolvimento de diversas celebridades, incluindo ator Leonardo DiCaprio, que pediu em suas páginas pessoais que o público assinasse uma petição e se manifestasse contra a terrível prisão, bem como o pedido do governo russo que libertassem esses animais, até o momento, nada foi efetivamente realizado para tal fim. Os “proprietários” das baleias (que com, permissões obscuras, as roubaram do oceano) devem estar fazendo de tudo para impedir a exigência de soltura, já que têm como objetivo lucrar com a venda das mesmas para parques marinhos, em especial para China.



Há algumas semanas divulgaram imagens assustadoras dos animais com visíveis problemas de saúde, sem contar fotos obtidas antes que mostravam os animais congelando, literalmente, dentro dos cercados. Aguardemos mais notícias desses tão renomados especialistas.








O Whale Sanctuary Project (Projeto Santuário de Baleia) que reuniu a equipe está pedindo auxílio financeiro para que possa cobrir os custos dessa visita inicial. Doações são muito importantes e podem ser realizadas através deste site:





sexta-feira, 8 de março de 2019

Um novo e misterioso tipo de Orca pode ter sido identificado


-- Pela primeira vez, cientistas conseguem filmar e estudar as raríssimas Orcas ecotipo D --


E em regiões austrais, em meio a mares extremamente agitados, vivem Orcas misteriosas que parecem bem diferentes das demais, e pela primeira vez, cientistas as localizaram e as estudaram em seu habitat. “É muito provável que elas sejam de uma nova espécie”, diz Robert Pitman, pesquisador da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA americana).
Esta reflexão é resultado de um encontro de uma equipe de cientistas com Orcas tipo D ocorrida em janeiro a cerca de 100 km da costa do Cabo Horn, no Chile, região conhecida pelo "pior clima do mundo", acrescenta Robert.



Essas Orcas eram conhecidas anteriormente somente por fotografias amadoras, descrições de pescadores e por um encalhe em massa, porém nunca haviam sido observadas na natureza por especialistas em cetáceos. Ao contrário dos outros tipos conhecidos de Orcas, elas possuem a cabeça mais arredondada, a nadadeira dorsal mais pontiaguda e estreita e a mancha branca característica acima dos olhos bem menor, além de serem menores em comprimento. Já se sabe de diferentes tipos de Orcas, “mas certamente esta é mais diferente de todas”, disse Robert.
O encontro com as Orcas se deu numa área onde pescadores haviam relatado avistamentos. A equipe de cientistas passou uma semana no local e não demorou até que um grupo de vinte e cinco delas aparecesse próximo ao navio. Durante esse período, foi possível filma-las acima e abaixo da água e até coletar uma pequena amostra de gordura (técnica de pesquisa comum e inofensiva) para estudo do DNA. Dessa forma, será possível de fato determinar se realmente se trata de uma nova espécie (a equipe ainda aguarda uma licença de exportação para retirar a amostra do Chile). Curiosas, as Orcas passaram um bom tempo em torno do navio e, embora tenham inspecionado atentamente o hidrofone colocado na água pelos pesquisadores, não fizeram nenhuma vocalização.
Orcas do tipo D foram registradas pela primeira vez somente em 1955 quando um grupo delas encalhou na Nova Zelândia. Mais de meio século depois, em 2005, Robert Pitman teve acesso a imagens colecionadas por Paul Tixier, um cientista francês que realizava pesquisas em um remoto arquipélago ao sul do Oceano Índico, conhecido como Ilhas Crozet. “Fiquei de queixo caído quando identifiquei pelas fotos que se tratava do mesmo tipo de Orca 50 anos depois”, contou ele. Essas orcas são conhecidas por roubar peixes das linhas de pescadores de mariscos perto das Ilhas Crozet e Chile, às vezes chegam a levar um terço da pesca. Esses dois pesquisadores, unindo conhecimentos, imagens e relatos, publicaram em 2010 um primeiro estudo sobre essas Orcas na revista Polar Biology. Mas Robert Pitman ainda tinha o objetivo de observá-las na natureza.


Encalhe de Orcas Tipo D na Nova Zelândia (1955)

“Coletando as primeiras amostras genéticas desse tipo de Orca na história, a expedição do Robert promete aumentar nosso conhecimento sobre genética, evolução, preferências alimentares e divisão de recursos nas Orcas “D” e sobre Orcas de modo geral”, disse Paul Tixier numa entrevista por e-mail. Paul agora é pesquisador da Deakin University, em Melbourne, Austrália.
Antes da equipe do Robert, quem teve a sorte de cruzar com um grupo D de Orcas foi uma equipe do Sea Shepherd em dezembro de 2014, próximo à Antártica (notícia compartilhada aqui no blog naquela ocasião).
Orcas ainda são oficialmente consideradas uma espécie única: Orcinus orca. Porém, os cientistas já estão considerando definir um nome científico para alguns tipos já que são muito diferentes. John Ford, pesquisador da Fisheries and Oceans Canada e da Universidade da Colúmbia Britânica defende isso. Mas isso requer um processo científico formal, que inclua extensas medições, análise de DNA entre outros. “Há boas razões para considerar outras Orcas como espécies diferentes também, mas é muito difícil definir onde traçar as linhas que separariam as espécies”, disse ele.
Robert Pitman sugere que um bom nome para as Orcas estudadas em janeiro seria “baleia Orca subantártica”. Isso descreve apropriadamente seu habitat, nas águas próximas à Antártica, mas não inclui as águas mais frias. A região onde se encontram, entre as latitudes 40 e 60, tem um dos climas mais inóspitos do planeta, com ventos fortes e tempestades frequentes.
O local em que habitam combinado ao fato de viverem em mar aberto, explica por que essas Orcas são tão pouco conhecidas. “Se se é um animal de grande porte tentando se esconder da ciência, ali seria o lugar perfeito”, completou Robert.


P.S.: Veja as imagens compartilhadas no blog em 2014 do encontro do Sea Shepherd com as Orcas tipo D: https://v-pod-orcas.blogspot.com/2014/12/tipo-de-orcas-raras-e-visto.html.