quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Orca encontrada morta na Inglaterra tinha apenas plástico no estômago

Uma Orca morta foi encontrada em um pântano na baía de The Wash, na Inglaterra, há poucos dias. Os ingleses não registravam um encalhe de Orca desde 2001.
Acredita-se a jovem Orca, medindo 4,5 metros de comprimento, tenha morrido há semanas e, uma análise inicial, mostrou que, apesar de não ter sido esta isoladamente a causa de sua morte, havia um grande pedaço de plástico em seu estômago.
A causa da morte e o motivo de ter sido encontrada em meio ao pântano, afastada do mar, ainda são desconhecidos. Especialistas da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) estão investigando e tentando entender o encalhe dado ser tão incomum.
Rob Deaville e Matt Perkins, da ZSL, coletaram amostras de gordura, do fígado, de músculos e dos rins para investigarem melhor a vida e a morte do animal. Rob disse em entrevista que “Este tipo de encalhe não costuma acontecer na Inglaterra e no País de Gales. O último que registramos foi em 2001, no estuário de Mersey”.
A carcaça não tinha sido movida e estava praticamente intacta internamente, apesar de seu avançado estado de decomposição. Sabe-se que era uma Orca jovem pelo tamanho, mas a idade exata é desconhecida. Uma análise de sua arcada dentária poderá indicar a idade aproximada.
A análise do estômago mostrou que ela não havia comido recentemente.
A Orca é uma das mais importantes espécies pesquisadas pela ZSL por absorver concentrações significativas de poluentes marinhos. “Por serem grandes predadoras e estarem no topo da cadeia alimentar, elas absorvem uma quantidade enorme de poluentes marinhos, principalmente PCBs”, disse Rob Deaville. “Mesmo estando neste estado de decomposição, ela poderá nos dizer muito sobre a população lá fora, por isso coletamos uma série de amostras para acompanhamento bacteriológico e histopatológico, além de amostras para fazermos as análises de poluentes, bem como estudos sobre sua dieta, histórico de vida, idade e análise genética para identificarmos a qual população pertencia”.
Qualquer novidade publicada sobre as análises nas próximas semanas, compartilharemos por aqui ou em nossas redes sociais.





quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Orcas avós auxiliam na sobrevivência de seus netos

Pesquisas mostram que Orcas avós que já passaram da menopausa melhoram as chances de sobrevivência de seus netos. Acredita-se que isto ocorra, pois, por já serem incapazes de gerarem filhotes, podem concentrar suas energias e recursos no auxílio dos pequenos.
Em tempos de escassez de alimentos, a equipe de pesquisa descobriu que as Orcas-avós tinham um papel importante na alimentação dos filhotes, e que elas, por serem mais experientes, desenvolvem um papel importante de liderança para o pod também na busca de alimentos.
Um dos autores do estudo, o Dr. Dan Franks, do Departamento de Biologia da Universidade de York, disse: “O estudo sugere que as avós reprodutoras não são capazes de fornecer o mesmo nível de apoio que as que não se reproduzem mais. Isso significa que a evolução da menopausa aumentou a capacidade da avó de ajudar seus netos. A morte de uma “avó pós-menopausa” pode ter repercussões importantes para o seu grupo familiar. Esta ocorrência deve ser tratada com a importância devida ao avaliar o futuro dessas populações.” Ele afirmou ainda que, “À medida que a oferta de salmão declinar, é provável que as avós se tornem ainda mais importantes para essas populações”.
A equipe desta pesquisa foi composta por cientistas das Universidades de York e de Exeter, ambas no Reino Unido; do Center for Whales Research, dos EUA, e da Fisheries and Oceans, do Canadá. Foram analisados os dados coletados ao longo de 36 anos nas duas populações de Orcas acompanhadas pelo Center for Whales Research e pelo Fisheries and Oceans que vivem na costa noroeste do Pacífico do Canadá e nos EUA.
O principal autor da pesquisa, Dr. Stuart Nattrass, da Universidade de York, acrescentou: “As descobertas ajudam a explicar fatores que estão impulsionando a sobrevivência e o sucesso reprodutivo das baleias, que são informações essenciais, dado que as Orcas Residentes do Sul, uma das populações em estudo, estão na lista de animais ameaçados e em risco de extinção. Acreditamos que quando as avós reprodutoras estão apoiando seus próprios filhotes, seus padrões de movimento e atividade são restritos e não são capazes de fornecer apoio e liderança da mesma maneira que as fêmeas na pós-menopausa, ou seja, elas teriam menos tempo”. Ele acrescentou ainda que “atualmente, estamos realizando estudos observacionais com drones para estudar diretamente o comportamento de ajuda entre membros do pod”.





quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

50 anos da captura da Corky

"Conte. 50. Cinqüenta. Nos dedos da sua mão. Leva um tempo. Pense nisso. Pense em cada um representando um ano perdido na vida da Corky: 365 dias circulando e girando e girando e girando em torno de seu tanque até ficar tonta, longe de todos os sons que fizeram dela uma Orca, um ser com uma incrível percepção de som e espaço; afastada de uma linhagem familiar que se estende por gerações que vão além da última Era Glacial; inimaginavelmente privada de tudo o que ela e suas semelhantes dependem para existir.
Na semana passada, fui com a Helena à Pender Harbor, em Sunshine Coast, ao norte de Vancouver, para encontrar o Sonny Reid, pescador que capturou Corky no dia 11 de dezembro de 1969. Nós não nos víamos desde aquela época. Temos a mesma idade. Ele lembrava de mim mais alto. Um homem atarracado e resignado, Sonny viveu a vida toda em Pender Harbor. A captura das Orcas foi acidental; ele ganhou dinheiro, mas não muito; ele pescava salmão e arenque antes de ambas as pescas fracassarem. Ele está aposentado agora e como vendeu o barco não pesca mais, mas vagueia até o porto no Madeira Park quase todos os dias e se lembra das capturas como se fossem ontem. Ouvi dizer que ele havia mudado de ideia sobre o tema. Nosso encontro foi calmo e a conversa tranquila. Para mim, o momento mais pungente foi quando perguntei a Sonny quando ele havia mudado de ideia. Ele ficou pensativo por um momento e depois me disse que aconteceu no cais em que estávamos, quando as Orcas estavam sendo transferidas para caminhões para serem levadas. Ele as ouviu chorar. Naquele momento, ele entendeu o que havia feito e desejou poder devolvê-las. Mas não podia, é claro.

Agora, há outra chance para Corky. Um santuário está sendo preparado para ela em Double Bay, na ilha Hanson, não muito longe do OrcaLab e de Dong Chong Bay, onde Springer foi devolvida à família em 2002. Lá, a Corky será tratada por pessoas que conhece bem, funcionários do SeaWorld. Ela vai nadar na água do oceano novamente e, embora ainda esteja confinada, sua família poderá visitá-la. O que acontecerá após o reencontro é desconhecido. É claro que existem desafios à frente, sendo o principal deles a cooperação do SeaWorld, o que é possível e o que acredito que irá acontecer.

Enquanto a Corky entra no seu 51º ano longe da família e do oceano em que nasceu, acenderemos uma vela para ela. Convidamos você a fazer o mesmo."


Paul Spong, Orca Lab

11 de dezembro de 2019



terça-feira, 17 de dezembro de 2019

População de baleia jubarte sobe de 450 para 25 mil

A proibição da caça a baleia em várias partes do mundo deu certo. Uma nova pesquisa mostra que a população de baleias jubarte – que estavam em extinção – saltou de 450 para 25 mil no Atlântico Sul nas últimas décadas. O levantamento internacional foi feito em co-autoria por Grant Adams, John Best e André Punt, da Escola de Ciências Aquáticas e daPesca da Universidade de Washington, nos EUA.
No litoral do Brasil, mais precisamente, elas saltaram de 400 para 17 mil em 60 anos, de acordo com o Senso 2019 do Projeto Baleia Jubarte, uma ONG que existe desde 1988 e sobrevoa o Oceano Atlântico para fazer a contagem dos mamíferos.



Motivo
A quantidade dessas baleias – chamadas cientificamente de Megaptera novaeangliae – aumentou graças a medidas de proteção implementadas na década de 1960, quando os cientistas perceberam que as populações estavam em declínio.
Anos depois, na década de 1980, a Comissão Internacional da Baleia emitiu uma alerta de repressão a caça, oferecendo mais salvaguardas a elas. O resultado é que essa nova estimativa de 25 mil animais está próxima dos números que existiam antes da época em que era permitido caçar baleias no Atlântico. “Fomos agradavelmente surpreendidos pelo retorno. Estudos anteriores não sugeriram que as baleias jubarte nessa região estavam indo bem ”, disse John Best ao portal Good News Network.

O estudo
O estudo, publicado no mês passado na revista Royal Society Open Science , rejeita avaliação anterior realizada pela Comissão Internacional da Baleia, entre 2006 e 2015, que indicava que a população havia recuperado apenas cerca de 30% de seus números anteriores à exploração. Desde que a avaliação foi concluída, novos dados vieram à tona, fornecendo informações mais precisas sobre capturas, genética e histórico de vida. O estudo incorporou registros detalhados da indústria baleeira no início da exploração comercial, enquanto as estimativas atuais da população são feitas a partir de uma combinação de pesquisas aéreas e navais, juntamente com técnicas avançadas de modelagem. Os autores preveem que o modelo construído para este estudo possa ser usado para determinar a recuperação da população em outras espécies em mais detalhes também.

A recuperação
O autor principal Alex Zerbini, do Instituto Conjunto para o Estudo da Atmosfera e do Oceano da Universidade de Washington, diz que essas descobertas são uma notícia boa, um exemplo de como uma espécie em extinção pode voltar da quase extinção. “As populações de animais selvagens podem se recuperar da exploração se o manejo adequado for aplicado”, disse Zerbini , que concluiu o trabalho no laboratório de mamíferos marinhos do NOAA Alaska Fisheries Science Center.
O estudo também analisa como o renascimento das jubarte do Atlântico Sul pode ter impactos no ecossistema. As baleias competem com outros predadores, como pinguins e focas, pelo krill – uma espécie de camarão – sua principal fonte de alimento.



Fonte: Site Só Noticia Boa




terça-feira, 17 de setembro de 2019

Novo filhote de Orca "branca" é identificado nos EUA

Em junho, tive o prazer de compartilhar a notícia de um filhote de Orca "branco" (acinzentado) dentre as Orcas Transeuntes, na região do Noroeste do Pacífico; agora, com volto a comunicar o nascimento de mais um filhote com as mesmas características, mas não dentre as Transeuntes.
Dessa vez, o avistamento ocorreu na Califórnia, EUA. Após alguns dias de observação, divulgaram na tarde de ontem que a pequena Orca é filhote da fêmea identificada pela sigla CA216C, portanto, de agora em diante, identificada como CA216C1.
É comum levar alguns dias de observação até concluírem de qual Orca é o filhote porque, acreditem, Orcas se revezam nos cuidados do filhote nas primeiras semanas, como perfeitas babás.




Há 8 dias elas haviam sido avistadas na Baía de Monterey e ontem foram novamente observadas, mas na cidade de Dana Point, o que significa que nesse pequeno período se deslocaram por quase 650 km (e de pensar que um tanque no SeaWorld não possui mais do que 50 metros). 
Uma empresa de observação de baleias publicou um vídeo no YouTube com imagens da pequena Orca captadas por drone, nele, é possível identificar com mais clareza a coloração diferenciada. Assista abaixo:




segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Sete Orcas encalham na Argentina, seis são salvas

Hoje pela manhã um grande encalhe de Orcas ocorreu na praia de La Caleta, balneário de Mar Chiquita (cerca de 20km ao Norte de Mar del Plata), na Argentina. Eram sete delas e após o intenso trabalho de cerca de seis horas por parte de 150 pessoas, seis puderam ser salvas. Um macho adulto, infelizmente não conseguiu sobreviver.
Jornais locais divulgaram que as Orcas foram encontradas por duas pessoas que costumam caminhar todas as manhãs pela praia. Foram elas que deram o alerta para dar início ao trabalho de salvamento. O vídeo abaixo mostra quão agoniante estava a situação. É possível ouvir as vocalizações de desespero dos animais:



No início, não havia um planejamento sobre o que fazer, as pessoas foram se aproximando e como podiam, ignorando as vestimentas, a baixíssima temperatura da água e o forte movimento das ondas, faziam o que podiam para empurrá-las de volta ao mar.


Uma das primeiras autoridades a chegar ao local foi a secretária de Turismo da região Flávia Laguné, em seguida equipes de bombeiros, funcionários da Prefeitura e ainda pessoal da Universidade Nacional de Mar del Plata e da Fundação Mundo Marino (parque que mantém Kshamenk cativo).
O salvamento foi sendo realizado com os materiais que tinham disponíveis... cordas, pedaços de redes de pesca, pás, rebocadores. Duas das pessoas envolvidas no processo tiveram que ser afastadas por conta da hipotermia. Alguns relataram que nem pensavam no frio ou no esforço, apenas queriam devolvê-las ao mar. Quem não tinha mais forças nos braços empurravam com os pés.



E assim foram seis horas de luta, mas que valeu muito a pena. Seis Orcas foram devolvidas!
A morte do macho provavelmente ocorreu devido à posição que ele se encontrava na praia... Estava com o espiráculo (orifício pelo qual respira) direcionado para as ondas, ou seja, não tinha como impedir que água entrasse. Ele tinha cerca de 5 toneladas e teve amostras de tecidos, sangue e órgãos coletados pelos biólogos e veterinários das fundações do Aquário de Mar del Plata e Mundo Marino. Com isso, será possível confirmar a possível causa da morte, bem como avaliar doenças pré-existentes.


Muchas Gracias, Hermanos!





P.S.: Imagens obtidas no site do La Nacion de 16 de setembro de 2019.



quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Todas as Orcas da Prisão de Baleias estão finalmente livres

Está aí uma notícia que jamais pensei que conseguiria dar, mas com alegria informo: Sim! Todas as Orcas capturadas e presas na Rússia foram realmente libertadas!
Apesar dos trabalhos de soltura terem sido realizados sob muita controvérsia (e, de fato, de forma muito amadora), pelo menos agora elas possuem uma chance de prosperar nos oceanos.
Segundos dados de satélite da empresa que efetuou o trasporte e a soltura, uma delas está próxima às Ilhas Shantar, a cerca de 50km de outras três; há relatos de pesquisadores que observaram também três Orcas numa outra região (prometeram divulgarem vídeos delas); além de que uma delas já foi vista transitando com um pod de Orcas local. Não temos mais detalhes até o momento.
Dentre as belugas, doze já foram soltas, mas 75 ainda estão na Prisão. As informações são de que todas serão soltas nos próximos dois meses antes do mar começar a congelar. Como farão isso ainda não está claro por serem muitas, mas vamos acompanhando.


A luta pela liberdade dessas Orcas e belugas dura mais de um ano!
Foi feito o possível e o impossível por parte dos ambientalistas, ativistas, pesquisadores e pessoas comuns que amam os animais e se envolveram para alcançar este objetivo! Posso dizer que conseguimos salvá-los da vida em cativeiro em algum tanque perdido pela China, mas é com pesar que digo que tudo isso pode se repetir em 2020 e não podemos permitir! Mais uma vez estão tentando estabelecer quotas de capturas para o próximo ano. Mesmo estando longe, podemos manisfestar nosso repúdio a esta permissão. Mande sua mensagem ao governo russo para que reflitam antes de cometerem o mesmo erro novamente. A mensagem pode ser enviada no e-mail rpn77@rpn.gov.ru para o Chefe de Departamento de Rosprirodnadzor.



sexta-feira, 26 de julho de 2019

Orca filhote libertada da "prisão" pede alimento a pescadores na Rússia

Conforme esperado, vídeo mostra Orca libertada na Rússia pedindo alimento a pescadores.
Ainda mais perturbador do que as informações divulgadas na noite de ontem sobre a desastrosa operação de soltura das primeiras Orcas e belugas soltas da "prisão de baleias" na Rússia, um vídeo divulgado no Facebook mostra uma Orca praticamente "domesticada" implorando por peixes a um barco de pescadores.


Não só pelo fato de ter sido capturada tão pequena (possivelmente com menos de dois anos de idade), a Orca identificada nas imagens como sendo a mais jovem libertada no último dia 16 (de forma irresponsável, conforme explicitado na postagem anterior), Orcas são naturalmente "voltadas" para debaixo da água, ou seja, emergindo apenas para respiração, observação e alguns comportamentos de comunicação; porém, para as demais atividades sociais e principalmente para a caça, são totalmente focadas no oceano e suas profundezas. Uma das principais ações realizadas por treinadores na doutrinação de cetáceos em cativeiro é fazer com que se concentrem em ações fora da água, para que, dessa forma, possam ser treinadas (obedecer a comandos) e, somente dessa forma, receberem alimento. O que podemos observar no vídeo divulgado, é que se trata de um animal treinado para se voltar para fora da água... Nesse caso, é ainda mais difícil que aprendam a se alimentar sozinhas. Isso tudo faz parte do processo de fazer com que o animal dependa dos humanos para sobreviver. É triste, mas é assim que ocorre com animais de cativeiro. É como se as pessoas quebrassem o espírito desse animal para que se submetam a tudo que querem em, por exemplo, apresentações e interações com o público.
A triste imagem foi divulgada ontem... Poucos são os detalhes, mas surgindo mais informações, vou compartilhando por aqui, Facebook, Twitter ou Instagram.
Assista ao vídeo acessando este link da página do Facebook do Russian Orcas:


P.S.: Isso me lembrou algumas das últimas imagens captadas da Orca Keiko em busca de companhia humana pouco antes de morrer...
Continuo defendendo a reabilitação de cetáceos, mas este é um trabalho que deve ser feito o quanto antes com animais presos... Caso contrário, pode mesmo não ser efetivo.



quinta-feira, 25 de julho de 2019

Informações de satélite mostram que Orcas soltas na Rússia não seguiram juntas

A VNIRO, empresa russa responsável pela soltura das Orcas e belugas presas na “prisão de baleias”, anunciou que as três Orcas (segunda “leva” de Orcas soltas desde o final de junho) libertadas juntas no dia 16 de julho agora estão se deslocando separadamente.
Neste segundo processo de soltura, a VNIRO optou por libertar duas orcas jovens do primeiro cercado (uma fêmea de 2 e um macho de 3 anos de idade), e uma fêmea mais velha (com mais de 5 anos) do terceiro cercado. Especialistas, incluindo membros do projeto “Russian Orcas” (que divulgou estas informações em sua página do Facebook), ressaltaram repetidas vezes que as baleias deveriam ter sido mantidas num mesmo cercado por um tempo antes da soltura para que pudessem desenvolver laços sociais que as manteriam unidas no oceano. No entanto, a VNIRO ignorou essas orientações e libertou as baleias retiradas de diferentes cercados.
A princípio, pareceu que a soltura fora um sucesso, mas algumas horas depois se separaram, aparentemente após um encontro com Orcas selvagens. De acordo com os localizadores via satélite, a fêmea mais velha seguiu em direção ao Golfo Academii, local em que essa população costuma passar o verão, mas a fêmea mais nova permaneceu na área em que foram soltas. Não há registros de satélite do macho, o que indica que o localizador não esteja funcionando.


Deslocamento Orca mais jovem

Deslocamento Orca mais velha

A Orca mais jovem tem poucas chances de sobrevivência por conta própria, e mais velha, teria boas chances caso tivesse sido libertada juntamente às demais companheiras de cercado (mais uma fêmea e um macho de 5 anos) pois assim formaria um grupo mais forte de caça. No entanto, ela segue sozinha. Orcas trabalham juntas na caça, sozinhas possuem muito mais dificuldade de se alimentarem. Sua única chance seria encontrar seu pod.


Aguardemos mais informações desta desastrosa operação de soltura.
O que era para nos trazer alívio, acabou nos trazendo mais preocupação.



sexta-feira, 28 de junho de 2019

Orcas e belugas começam a ser soltas sem qualquer reabilitação ou preparo

Contrariando um pouco a tranquilidade que Jean-Michel Cousteau* tentou nos passar no vídeo que publiquei ontem, de fato, as duas Orcas e as seis primeiras belugas retiradas da prisão de baleias russa foram soltas no oceano... Sim, "apenas" soltas, ou melhor, jogadas!
Simplesmente, as despejaram no oceano após percorrerem os 1.800 km em seis dias de transporte em condições precárias e sem qualquer preparo de readaptação e/ou acompanhamento. Não havia qualquer estrutura preparada para recebê-las. O que pode parecer reação de alegria por parte das duas Orcas num vídeo divulgado não passa de comportamento de puro estresse. Não há nem como calcular o nível de cansaço físico e mental em que se encontravam... Sem dúvida estavam exaustas, confusas e muito traumatizadas.
Como todo o processo de libertação não foi registrado em vídeo (veio à público apenas alguns trechos), não há como saber quantas das oito baleias foram realmente soltas. Também não há como saber quantas delas sobreviveram ao transporte tão longo. Em um dos vídeos é possível observar grande quantidade de sangue no colchão de apoio, ou seja, algumas já saíram do transporte com ferimentos.








As pobres baleias foram despejadas perto do local onde as belugas foram capturadas e, aparentemente, nenhum esforço foi feito para ajudar as Orcas a encontrar o caminho de casa.
Depois de serem alimentadas por pessoas por cerca de um ano, em cercados precários, onde quase morreram congeladas, as baleias abandonadas, que perderam suas famílias e membros de seu pod durante a captura, agora terão que se defender sozinhas. Dentre as recomendações dos especialistas em reabilitação, estava a condição de serem libertadas todas juntas após um mínimo de dez dias de reabilitação no local de soltura para que pudessem descansar e reconhecer o antigo ambiente. Muitas das belugas eram bem bebês quando capturadas. O que será delas agora?
Tags via satélite foram implantados nas baleias para que possam ser monitoradas. Mas me pergunto se, caso venha a ocorrer algo negativo com elas, será que divulgarão?

Era um grande sonho que essas baleias fossem devolvidas ao mar, mas do jeito que esta primeira soltura foi feita, ficam muitas dúvidas sobre se conseguirão sobreviver.



* O The Whale Sanctuary Project que divulgou o vídeo publicado ontem aqui no blog e que se envolveu amplamente nos apelos de soltura, inclusive oferecendo seus especialistas para auxiliar em todo o processo, em nota no Facebook, disse que está se informando sobre a exata forma como tudo ocorreu e que assim que possível divulgará uma declaração comentando. Até o momento da publicação desta postagem, a nota ainda não tinha sido divulgada.

Assista aos vídeos da soltura na página "Free Russian Whales" através do link: https://www.facebook.com/freerussianwhales/?tn-str=k*F