sexta-feira, 17 de agosto de 2012

As Orcas do Playcenter: Samoa e Nandu


Muitos devem se lembrar da época em que o famoso parque de diversões da capital paulista, o Playcenter, apresentava shows com Orcas... Mas já se perguntaram como foi a permanência delas no parque? De onde vieram e onde estariam hoje?
Eram, na verdade, duas Orca: a fêmea Samoa  e o macho Nandu. Ambas foram capturadas nas águas da Islândia em 1983, junto com Tilikum, já bem conhecido do grande público (tudo indica que eram membros do mesmo pod).
Chegaram ao Brasil em 1984, depois de meses extenuantes de negociações devido ao interesse de outro parque nos animais. Elas passaram os primeiros meses escondidas do público até serem treinadas e adaptadas ao cativeiro.
O “Orca Show” estreou no final desse mesmo ano.
No início foi um grande sucesso... O show incluía outros quatro golfinhos, que dividiam os mesmos tanques (compartilhamento nada natural quando em liberdade, mas... infelizmente esta é uma prática comum em cativeiros, ou seja, colocar no mesmo local animais de espécies diferentes).
Numa reportagem da revista Superinteressante, de 1988, os treinadores Paulo César Cirilo e Oscar Cardoso, que na época trabalhavam com as Orcas, relataram que o processo de treinamento não era nada fácil. Contaram que elas precisavam de 80 quilos de peixe por dia e de muito afeto. Disseram ainda, que elas eram tão inteligentes quanto os golfinhos e que provavelmente superavam a inteligência dos primatas.
Apesar do constante pedido por parte dos funcionários do parque, o público (tipicamente brasileiro, portanto muito culto e bem educado...) jogava alimentos e objetos no tanque... Muitos deles foram engolidos por Nandu.
Quatro anos e meio depois da chegada das Orcas, Nandu foi encontrado morto... Samoa estava ao seu lado.

Em 1989, Samoa foi comprada pelo parque marinho americano SeaWorld... Passou pelo parque de Ohio e depois foi para o do Texas.
Em San Antonio, no Texas, três anos depois de sua chegada, engravidou, mas nem chegou a dar à luz um filhote vivo. Passou por horas de sofrimento intenso e morreu em seguida.
Na época, o parque divulgou que ela havia morrido por complicações no parto, conforme notícia que pode ser lida neste link: http://articles.orlandosentinel.com/1992-03-15/news/9203150434_1_killer-whale-world-killer-whale-died. Mas, de acordo com o Marine Mammal Inventory Report, tornado público em maio de 2011, Samoa, que tinha 14 anos, morreu devido à uma infecção gravíssima causada por fungos.
O problema foi iniciado no útero, abrangendo placenta e o próprio feto, e alcançou o cérebro provocando uma meningoencefalite (na necropsia existem detalhes extremamente desagradáveis, que não acho relevante comentar).
Ela estava tentando abortar o feto, pelo menos 2 meses antes da data prevista para o nascimento, devido ao estágio avançado da doença e não dando à luz, como divulgado.
Quando seres humanos são afetados pelo mesmo tipo de fungo que afetou Samoa (o que é raro e só ocorre com indivíduos com sistema imunológico extremamente debilitado) e não são tratados de forma adequada e logo no início do problema, acabam tendo o mesmo destino que ela.
Sabe-se que outras duas espécies de golfinhos morreram no mesmo parque por infecção causadas por fungos.
Várias hipóteses foram levantadas pelos estudiosos, mas uma que acho interessante destacar é que qualquer tratamento médico (ou inseminação artificial) desenvolvido com esses animais, ocorrem no mesmo tanque em que vivem (onde urinam, defecam, nadam, onde os treinadores nadam, caminham, etc.) e cenas gravadas (e divulgadas) mostram esses animais sendo manipulados pelos treinadores sem luvas de proteção. Certamente, isso não é seguro, nem saudável para os animais (Importante: Não há relatos desse tipo de doenças em animais que vivem livres!). Além disso, tudo indica que não detectaram o problema com a antecedência necessária para tratá-lo.
Uma pena... Mas infelizmente, não se pode esperar um futuro menos doloroso para criaturas capturadas e confinadas como Samoa e Nandu.

* * * * *
O Playcenter que conhecemos acabou de fechar as portas com a promessa de um parque totalmente diferente. Para alguns de nós (eu, inclusive), que conheceram Samoa e Nandu, fica a lembrança de sua majestosa presença, mas mais que isso, fica a lição de que não devemos manter animais tão especiais em cativeiro... Pois eles são, na verdade, tão assombrosamente inteligentes e conscientes, que sofreram exatamente o que qualquer ser humano teria sofrido na mesma condição, porém, com um agravante: a artificialidade. Afinal, além de terem sido roubadas de seu habitat e sua família, sofreram com a artificialidade do transporte, da água, do alimento, do convívio humano e do confinamento em si, que, através de suas paredes de concreto, impediram que utilizassem o mais importante de seus sentidos, que é o biosonar. Esta artificialidade jamais poderá ser mensurada por nós: Humanos tolos que destroem vidas em troca de entretenimento e lucro financeiro.

* * * * * 
Aquela era uma época de muita ignorância em diversos aspectos... Aqui no Brasil, acredito que os envolvidos tenham aprendido com a experiência, mas infelizmente não é o que vemos em outros países... Portanto, vamos espalhar o que aprendemos. E já que os brasileiros são um dos povos que mais viajam pelo mundo, vamos nos lembrar desta experiência antes de comprar um ingresso para ver Orcas e golfinhos em cativeiro ou até para participar de programas para nadar com eles. Pois acredite, por experiência própria: o amor que teoricamente sentimos por eles não é desenvolvido quando os encontramos num cativeiro, mas quando somos surpreendidos por sua presença nos oceanos!


P.S. 1: Se quiser saber quem é Tilikum, o "irmão" de Samoa e Nandu, visite a postagem de maio de 2011 "Conheça o famoso Tilikum", disponível no link:  http://v-pod-orcas.blogspot.com.br/2012/08/conheca-o-famoso-tilikum.html.

P.S. 2: Leia nestas postagens o que existe por trás da indústria do entretenimento com baleias e golfinhos e o trauma que provocamos quando os mantemos em cativeiro:
- "Matança de golfinhos no Japão X Cativeiro":
http://v-pod-orcas.blogspot.com.br/2012/06/qual-relacao-entre-o-massacre-de.html
- "Golfinhos ficam traumatizados quando vivem em cativeiro?":
http://v-pod-orcas.blogspot.com.br/2011/08/golfinhos-ficam-traumatizados-quando.html

P.S. 3: Adoraria postar fotos do arquivo "pessoal" do público de Samoa e Nandu aqui no blog, já que vi que a procura de imagens e informações sobre elas é muito grande... Se você tiver fotos desta época do Playcenter ou souber alguém que tenha, entre em contato através do e-mail v.pod.orcas@gmail.com.







7 comentários:

  1. Quem ama os animais não quer vê-los mantido em cativeiro, imagine uma Orca que pode nadar pelo ocenao completo, que sensação mais bela de liberdade e de vida, presa sobre um tanque pra satisfazer a vontade de humanos em vê-la em cativeiro... imagine vc sequestrada de sua familia e servindo de escravo pra outra espécie... quem gosta não faz isso e nem quer isso as baleias e golfinhos!!! Eu vi o show delas quando criança no playcenter... e fiquei muito triste em saber como terminaram mortas, lamentável mesmo.

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  2. eu amo orcas meu sonho e visitar o seaworld e ver as orcas e a orca tilikum ou então ir ao miami seaquarium ver a orca lolita tokitae que não ve sua familia amas de 30 anos

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  3. Vi a Samoa e o Nandu aqui quando criança, ja adulto não tive coragem de entrar no Seaworld da Florida, devemos como protesto desestimular este tipo de atração.

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  4. tomara que o documentário "Blackfish" ensine pro mundo que baleias devem ser soltas

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  5. http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/7005-adeus-playcenter#foto-135155 neste link tem uma foto das focas e uma de uma das orcas lambendo uma menina. Eu fiquei pensando que por um milagre não aconteceu desastre com as orcas aqui. Ainda bem que esse absurdo teve pouca duração aqui no Brasil.

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  6. Encontrei um vídeo de um programa infantil que apresenta os golfinhos e as baleias do Playcenter. Assistindo, podemos conhecer ao Nandu e a Samoa e fica ainda mais difícil ler sobre o triste destino que tiveram.
    Segue o link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=QP0BiIm5xso

    Quando criança frequentava o parque e cheguei a assistir algumas vezes o Orca Show. Ficava fascinada com as Orcas.

    Adorei o blog

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  7. Orcas e Golfinhos devem ser livress!!!! Abaixo ao Seaworld!!

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